Assassinato no Expresso do Oriente – Agatha Christie

Assassinato no Expresso do Oriente, de Agatha Christie, foi publicado originalmente em 1934 (Murder on the Orient Express). A edição lida é a de capa dura, preta, que foi publicada pela Nova Fronteira e tem tradução de Archibaldo Figueira.

O detetive belga Hercule Poirot embarca no Taurus Express, um trem “pomposamente anunciado nos guias turísticos”. Seu destino era até Instambul. Inicialmente, havia no trem, apenas dois outros passageiros: um coronel da Índia e uma jovem senhora de Bagdá. Depois de pousar no Tokattian Hotel a viagem segue no Simplon Orient Express lotado. Como diz o condutor: “parece que todo mundo resolveu viajar nesta noite”. Os  letreiros do trem anunciam o seu destino: Istambul – Trieste – Calais.

Devido a intempéries, o trem fica parado e impedido de seguir seu destino. A causa do transtorno é uma nevasca. Eis então que, com o trem parado, ocorre um crime. Hercule Poirot, cuja fama o precede, é solicitado por Monseiur Bouc: “... eu tenho fé em você. Estou certo de que nada disso que falam de você é lenda. Sente-se e pense. Use (como tenho ouvido você dizer tanto) as pequeninas células cinzentas da mente. Você saberá tudo.”

E assim, diante do crime consumado, o detetive belga assume a frente do caso promovendo a investigação.

“_ Do seu ponto de vista seria lastimável, concordo. Mas, apesar disso, permita-nos, só por um momento a suposição. Então, talvez, todos que estão aqui seriam ligados por um único elo, a morte.” Hercule Poirot, em diálogo com Monsieur Bouc.

Um assassinato, doze suspeitos, pistas que aparentemente são desconexas e que conduzem à tantos personagens com motivações diversas. Uma penumbra sobre o caso é o fato de que Ratchett, Samuel Edward Ratchett, ou Cassetti, o personagem que fora assassinado, esteve envolvido em um crime no passado. Quem agora teria motivos para matá-lo? Qual é essa motivação?

“... Escolho de cada vez um passageiro, considero seu depoimento e pergunto a mim mesmo se está mentindo, onde, e por quê?”

O livro de Agatha Christie é dividido em três partes: os fatos, as testemunhas e Hercule Poirot pára para pensar. A escritora, mais uma vez, brilhantemente, cria uma trama surpreendente. Poirot em cena deixa os leitores boquiabertos com sua astúcia e preciosismo. Atento a qualquer detalhe, seja ele visual, auditivo ou psicológico, ele coloca a massa cinzenta para funcionar e observa atentamente a tudo e a todos. Por meio dos diálogos que trava com os personagens, no cenário que se fixa no trem, ele ruma ao desfecho do caso. A narrativa se sustenta na abordagem de Poirot com os suspeitos, de modo que é o diálogo que travam que vai revelando dados que compõe a solução do caso.

Assassinato no Expresso do Oriente é um livro que leio pela terceira vez e, ainda assim, percebo nuances e detalhes que me escaparam em leituras anteriores. A história da Rainha do Crime já teve versão cinematográfica. A primeira foi em 1974 e teve direção de Sidney Lumet e em 2017 teremos um novo filme, dirigido por Kenneth Bragnagh, que além da direção interpreta  o detetive Hercule Poirot. Nessa nova versão Johnny Depp faz o papel da vítima.

Esse livro da Rainha do Crime figura na minha lista dos dez que mais gosto da autora, então é claro que o avalio positivamente. Gosto da forma como Agatha Christie consegue colocar personagens diversos, num único e limitado ambiente e, ainda assim, transformar a história em algo surpreendente e intrigante, mesmo que, eventualmente, o leitor consiga concluir quem é o assassino.

O livro é um convite ao leitor para embarcar no trem com Poirot em busca da solução do caso. Sentimo-nos na história, envolvido com os acontecimentos contados pelos personagens e buscando, nas entrelinhas, descortinar o mistério que a autora propõe. Vale a pena ler!

Foto: Reprodução
Sobre a autora

Agatha Christie é a autora mais publicada de todos os tempos. Em uma carreira que durou mais de cinqüenta anos, escreveu romances de mistério, contos, peças de teatro, uma série de poemas e livros autobiográficos, além de romances sob o pseudônimo de Mary Westmacott. Dois de seus personagens tornam-se mundialmente famosos: o engenhoso detetive belga Hercule Poirot e a irrepreensível e implacável Miss Jane Marple. A obra de Agatha Christie foi traduzida para mais de cinqüenta línguas e muitos de seus livros foram adaptados para o teatro, o cinema e a televisão. A autora colecionou diversos prêmios ainda em vida, e sua obra conquistou uma imensa legião de fãs. Ela é a única escritora de mistério a alcançar também fama internacional como dramaturga e foi a primeira pessoa a ser homenageada com o Grandmaster Mystery Writers of America. Em 1971, recebeu o título de Dama da Ordem do Império Britânico. Agatha nasceu em 15 de setembro de 1890 em Torquay, Inglaterra, e faleceu em 12 de janeiro de 1976, após uma carreira de sucesso.

Ficha Técnica

Título: Assassinato no Expresso do Oriente
Escritor: Agatha Christie
Editora: Nova Fronteira
Edição: 1ª
ISBN: 978-85-01-15501-2
Número de Páginas: 189
Assunto: Literatura inglesa
Assassinato no Expresso do Oriente – Agatha Christie Assassinato no Expresso do Oriente – Agatha Christie Reviewed by Tomo Literário on 03:00 Rating: 5

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