Estou atrás de você, de John Ajvide Lindqvist é lançado pela Tordesilhas




Estou atrás de você foi lançado pela Editora Tordesilhas. O livro já está em mãos e muito em breve teremos resenha aqui no Tomo Literário. Saiba mais sobre o livro.

É um lindo dia no acampamento. O céu está azul e a grama é farta e verde – mas algo está errado. Ontem havia vozes felizes, fumaça de churrasco e mosquitos. Agora tudo se foi. O que resta é um campo de grama infinito, quatro trailers, oito adultos, duas crianças, um cachorro e uma gata. Os personagens ainda não sabem, mas o pesadelo vivo está prestes a começar: a caminho deles, movendo-se no horizonte, aproxima-se o pior erro, o maior medo.

Neste romance de terror, Lindqvist suga o leitor para um universo que só poderia ter sido criado por uma das escritas mais macabras e originais do gênero. Em seu mundo aterrorizante e original, Estou atrás de você faz o coração sangrar e a alma retorcer, confundindo a realidade com o pior pesadelo.

Sobre a obra

“Se quisermos realmente compreender quem a pessoa é, devemos adentrar a escuridão e nos familiarizar com as imperfeições dela.”

Dez pessoas em um acampamento acordam e encontram seus carros e trailers estacionados em um gramado viçoso que segue para todas as direções em uma distância infinita. Em seus aparelhos de rádio tocam estações de música nacional, mas eles não conseguem sinal de celular. O GPS de seus veículos também não funciona, e o tempo nesse descampado parece se mover em uma velocidade diferente.

Diante da incredulidade de tal cenário e da busca por sentido, figuras estranhas começam a aparecer. Primeiro distantes. Silenciosas. Mas logo cada um se vê cercado das aparições de seus piores medos, de seus medos mais primários. O pânico instala. E enquanto alguns ajudam um ao outro, outros lutam com a própria loucura na busca por sentido. Um deles, inclusive, acredita que tudo acontece apenas em sua cabeça. Mas não, isto é horror. E esta terra artificial é de medo.

Neste romance de horror, John Ajvide Lindqvist, considerado por jornalistas britânicos como “a resposta sueca ao Stephen King”, traz a marca da estilística noir escandinava e uma inteligente costura de referências. Na alucinação inicial de seus personagens, tais costuras são bastante singulares – o “Homem Ensanguentado” (em sua relação ao Homem-carneiro de Murakami) e o gigante lego Darth Vader são alguns exemplos. E como é característico de Lindqvist, não importa quão selvagem as coisas fiquem, com gargantas cortadas, carne derretida e uma impassível claridade. O autor sempre dá conta... em sua indefinição.

Sobre o autor

John Ajvide Lindqvist nasceu em Estocolmo, na Suécia, em 1968. Trabalhou como mágico, comediante stand-up, dramaturgo e roteirista de TV. Hoje é um romancista bem-sucedido e reconhecido internacionalmente. Com livros publicados em 29 países, coleciona fãs e críticas elogiosas pelo mundo inteiro. Pela Tordesilhas, publicou Melodia do mal (2014), A maldição de Domarö (2013) e Mortos entre vivos (2011).

O que dizem por aí

“Um homem perigosamente imaginativo” – Herald Sun
“Brilhante e inesperado.” – Weekend Australian
“Um delicado equilíbrio entre macabro e tocante” – Sunday Telegraph
“Lindqvist é a resposta suéca para Stephen King.” – Daily Mirror
“Fabulosamente assustador” – Jennifer Byrne

[Resumo da Semana] 08 até 14 de Outubro de 2017




Veja tudo que rolou no Tomo Literário na semana de 08 até 14 de outubro.

08 de Outubro – Revista Conexão Literatura e a resenha do livro Ajuste de Contas, de Wallery Giscar.

09 de Outubro – Resenha do livro Boneco de Pano, de Daniel Cole, publicado pela Editora Arqueiro.

10 de Outubro – Resumo da Semana anterior.

11 de Outubro – Metrópole, lançamento da Editora Autografia, reúne contos que falam sobre a vida na periferia.

11 de Outubro – Entrevista com o escritor Sérgio Mattos, autor do livro O Abismo.

11 de Outubro – Esconjuro, de Giselle Melo, é lançado pela Editora Autografia.

11 de Outubro – Autora brasileira lança Callíope, a Escrava de Atenas, na Feira de Frankfurt.

11 de Outubro – Dia 14 de outubro tem evento da Editora Melhoramentos, especialmente para as crianças.

12 de Outubro – Dia das Crianças, dê livros de presente. Pesquisa Retratos da Literatura mostra influenciadores da leitura.

12 de Outubro – Lista com dez livros infantis da Editora do Brasil.

12 de Outubro – Lançamento do livro 2 por 4, da Editora do Brasil.

12 de Outubro – Literatura mostra a necessidade de saber lidar com a raiva desde pequeno.

13 de Outubro – Lista de 10 livros de terror nacional.

13 de Outubro – Resenha do livro O Culto, de D. A. Potens.

14 de Outubro – Resenha do livro De Repente, Nas Profundezas do Bosque, de Amós Oz, publicado pela Companhia das Letras.

De Repente, nas Profundezas do Bosque – Amós Oz



De Repente, nas Profundezas do Bosque, de Amós Oz, foi publicado pela Companhia das Letras em 2007, com tradução de Tova Sender.

“A professora Emanuela explicou à classe como é um urso, como os peixes respiram e que sonos a hiena produz à noite. Ela também pendurou na sala gravuras de animais e aves. Quase todos os alunos debocharam dela, porque nunca na vida tinham visto um animal sequer.”

Os adultos de uma pacata aldeia guardam algum segredo. Ali não há animais, apenas humanos. Já não há peixe, réptil, pássaro, inseto, mamífero, onívoro ou quaisquer outros animais.Tudo o que as crianças ouvem dos mais velhos é que os animais fazem parte de uma lenda que, inclusive, pode ser tida como perigosa. Uma lenda maluca, contada para afastar as crianças do desejo de saber mais sobre os animais. Os poucos que se atrevem a falar sobre isso são a professora Emanuela, o pescador Almon que virou lavrador e fala com um espantalho e a padeira Lídia, por exemplo, que joga migalhas a espera de pássaros que não existem.

Mas, toda criança, carrega curiosidade em descortinar o mundo, em saber mais, em aprender. E elas ficam intrigadas com o fato de não poderem se aproximar do bosque, tampouco de sair a noite de suas casas. A noite, segundo dizem os adultos, representa as trevas, em que um demônio atormenta a todos, o mesmo demônio que, segundo a lenda narrada da aldeia, teria capturado os animais e que mora numa montanha do bosque proibido.

“Tudo isso porque à noite um grande medo tomava conta da aldeia. Noite após noite, todo o espaço exterior pertencia a Nehi, o demônio da montanha.” Os pais alimentam o imaginário das crianças dizendo ainda que o demônio desce em busca de sinais de vida. Se ele se deparar com um inseto que seja, leva-o embora.

Mati e Maria são duas crianças curiosas que despertam para a procura de saber o que há no bosque, que mistérios existem por ali. Eles querem saber mais do que apenas aquilo que é dito pelos adultos. E com curiosidade e inquietação, própria das crianças, eles vão atrás do que querem saber.

“Eram estranhos os desvios de memória das pessoas da aldeia: coisas que eles se empenhavam em lembrar às vezes fugiam e se escondiam bem no fundo, sob o manto do esquecimento.”

De repente, nas profundezas do bosque é uma fábula. Amós Oz usa da fantasia para tratar de assuntos que são inerentes à sociedade contemporânea. Por meio de seus personagens e da bela história ele faz uma metáfora sobre discriminação, fala sobre a necessidade de convivência e de compreender as diferenças e, traz ainda, a discussão sobre o homem e a natureza. Como o homem trata os outros homens? Como o ser humano lida com a natureza?

Em Mati e Maria há o descolamento da doutrinação imposta pelos adultos. Eles partem em busca de, com seus próprios olhos, verem. E não se contentam com o olhar com os olhos dos outros. Outrossim, o livro também fala da intolerância, manifestada quando alguém é definido como portador do relincho ou tem um comportamento tido como estranho (ante o olhar de quem discrimina). Tal observação pode ser notada, por exemplo, com a forma como alguns veem Almon. Em trecho do livro diz-se: “Mas quem aqui afinal queria dar atenção a Almon? Ele era um homem velho, falador e quase cego, que sempre ficava discutindo com seu medonho espantalho”. Outros personagens também passam pelo rechaço provocado pelos demais. É o caso também de Nimi, um menino descuidado, que anda com o nariz escorrendo e tem um intervalo entre os dentes. Ele sonha, mas tem seus sonhos abafados pela maldade dos outros. Nimi, em certo momento, despareceu e após voltar é renegado, pois teria adentrado o misterioso bosque.

Ao longo da história Amós Oz usa questões retóricas que além de dar ênfase ao que os personagens encararão na sequência, traz o leitor para a reflexão sobre o assunto que será abordado dentro da história.

Chama a atenção o fato obscuro de os pais esconderem que houve a existência dos animais. Culpa? Medo? Uma cegueira camuflada para criarem o seu mundo perfeito, sem aceitar as diferenças? Eles querem um mundo em que não haja questionamentos? Querem colocar uma névoa sobre aquilo que pode causar-lhes desconforto? Debochar, discriminar, tirar sarro, avacalhar e manter o outro distante é um modo de se sentir superior? Os adultos incutem pensamentos preconceituosos nas crianças?

“... eram na realidade invenções esquisitas que os pais criaram um dia, crendices sem importância que já passaram do tempo e agora era preciso afastá-las para que afinal pudessem viver a vida real, porque quem vive de fantasias simplesmente não é como nós, e quem não é como nós também vai adoecer do relincho, e todos vão manter distância dele, e ninguém jamais poderá salvá-lo.”

A grande mensagem do livro é sobre respeito e quebra de preconceitos. Nós, humanos que somos, por vezes rechaçamos o que é diferente e não conseguimos lidar, minimizando ou menosprezando quem não é igual, isolando-os do mundo para que não interfira no nosso modo de viver, ainda que, naturalmente, não haja um impacto, posto que a vida é do outro. Uma lição que pode ser facilmente compreendida por uma criança, ao ler a fábula de Amós ou por um adulto. O livro tem esse viés e decerto que agrada ao público de qualquer idade.

A narrativa de Amós é encantadora, leve, agradável e o livro pode ser lido de uma única vez. De repente, nas profundezas do bosque é daqueles livros que nos faz adentrar a história e refletir sobre a temática abordada.

Foto: Reprodução
Sobre o autor:

Amós Oz, nascido em Jerusalém em 1939, é considerado o principal escritor israelense da atualidade. Professor de literatura na Universidade Ben Gurion, mora em Arad, no deserto de Neguev, em Israel. Publicou dezoito livros, em sua maioria de ficção, traduzidos para cerca de trinta idimoas. Dele, a Companhia das Letras lançcou Pantera no Porão, Conhecer uma Mulher, Fima, O Memo mar, Meu Michel, De Amor e Trevas, Não Diga Noite e A Caixa Preta.

Ficha Técnica

Título: De repente, nas profundezas do bosque
Escritor: Amós Oz
Editora: Companhia das Letras
Edição: 1ª
ISBN: 978-85-359-0996-8
Ano: 2007
Número de Páginas: 139
Assunto: Romance israelense

O Culto – D. A. Potens



“Aqui eu abro as janelas do mal...”

As lendas ganham o imaginário popular. Você pode ter ouvido falar da loira do banheiro – que assusta a todos que frequentam o sanitário, pedindo para que retirem o algodão de seu nariz – uma lenda urbana que vai sendo difundida em vários lugares há muito tempo. Pode ainda ter ouvido falar de quem tem medo do boitatá – a cobra de fogo com dois grandes olhos que lança fogo –  uma lenda folclórica brasileira. Até o Saci, outro ser lendário, por mais simpático que possa parecer, causa calafrios em algumas pessoas. Os seres apresentados nas lendas povoam a mente, e acabam provocando medo e pavor, mexendo com questões que muitas vezes perturbam: a morte, a alma penada, o mistério, o oculto.

A cabra preta é uma figura que poderia perfeitamente fazer parte de uma lenda. Uma lenda, contudo, cheia de obscurantismo e significados, que está pronta para causar calafrios. O Culto, novela do autor D. A. Potens, tem o objetivo de contar a história sobre o surgimento dessa entidade, que foi originalmente criada em seu conto A Oração da Cabra Preta, publicado no Wattpad.

A novela O Culto, cumpre sua função como ficção de terror. É capaz de perturbar o leitor, de fazê-lo adentrar a escuridão e de flertar com o medo. Não estranharia em ver as pessoas nos recônditos do país ou nos grandes centros, fugindo da cabra preta, ora imaginando que pode ser atacada por ela, ora temendo que alguém lance uma maldição invocando-a.

A forma como uma história é contada também há que ser considerada e o modo empregado pelo autor foi bem delineado.

“Você terminará de ler e não saberá meu nome, sequer qualquer traço do meu verdadeiro eu; quem sabe alguns. Só peço que leia com atenção e antes de cada leitura, peça licença ao tocar os olhos neste texto, pois ele é protegido por entidades muito antigas, que não hesitarão em destruir aquilo que você chama de vida”. Eis aí o alerta que o personagem narrador faz ao leitor da novela.

O personagem não se revela, como o trecho acima explicita. Ele conta a história em primeira pessoa e usa do recurso de chamar a atenção do leitor ao dirigir-se a ele, em dados momentos. O narrador fala ao leitor e conta com detalhes a origem da cabra. Tal personagem cria um jogo curioso com quem lê e que, certamente, desperta a vontade de prosseguir lendo.

Até por meio dos marginalizados o terror prenunciado pela cabra preta se manifesta. Pessoas que são renegadas a uma vida miserável (e aqui a miséria não refere-se apenas a pobreza ou a carência de riquezas). Possivelmente, a miséria está presente na própria vida, no espírito, na forma com que tais personagens encaram sua vida, no modo como veem o mundo. Nas fragilidades de tais humanos, a presença da cabra preta se fortalece, utilizando tais pessoas como uma ferramenta ou um meio para a execução de atos nada nobres. Quiçá até como uma forma de tais pessoas se livrarem das mazelas a que são lançadas, uma forma de vingança contra a vida que levam. A cabra deixa, por onde passa, um rastro de crueldade.

Com precisão o autor traz à trama, em segundo plano, a presença de personagens muitas vezes marginalizados. Estão presentes o morador de lugares menos abastados do país, o mendigo, a criança que sofre na escola, o pobre, a mulher objetificada, o humano em busca da estética. Por meio de tais personagens, revela-se o terror que elas tem em relação ao que vivem, a revolta, o ódio. No cerne do terror provocado a estas pessoas e por estas pessoas, a cabra preta reina absoluta.

D.A. Potens mescla a presença religiosa, demonstrada pelo personagem padre, o pecador que se revela em alguém acima de qualquer suspeita na sociedade, passando pela forma como a igreja encara o oculto; e usa o obscurantismo, na invocação da entidade que se manifesta para aterrorizar. Inclui ainda, uma visão ligada aos índios, numa mescla interessante para explicar o fenômeno da cabra. O mal habita a humanidade, e tal qual o homem é capaz na realidade, a ficção exacerba o mal.

É preciso que o leitor esteja disposto a encarar o terror de frente, pois os detalhes das cenas são realmente pavorosos, contados com maestria. Algumas passagens causam náusea a quem lê. Logo, o autor consegue transmitir a crueldade e a barbaridade de que a cabra preta é capaz. Potens mostra tudo de forma contundente e crua. Terror e horror não faltam nesta novela, recheada de cenas fortes e chocantes, que expõe o teor sem firulas ou metáforas.

“Sangue espesso espirrou no cenho da senhora, que teve a infeliz oportunidade de presenciar sua filha ser rasgada de dentro para fora por pequenas mãos escurecidas...”

O recurso de entremear passado e presente, num vai e vem, é empregado de forma a nos dar referência à origem daquela história que está sendo contada. Por isso, a narrativa feita em primeira pessoa, não é linear. O personagem vai contando sobre as situações que passam pela sua recordação e fala ao leitor sobre aquilo que lhe teria sido revelado em sonhos.

O Culto é um livro que você começa a ler e não consegue parar até devorá-lo por inteiro. Li do início ao fim de uma única vez (parei apenas para postar uma mensagem referente ao livro, no Facebook). A leitura foi realizada numa madrugada silenciosa, que propiciou o mergulho intenso no terror apresentado por D. A. Potens.

A narrativa é bem arquitetada e tem um desfecho condizente com o percurso da história. Volto a escrever: é chocante. Um livro de terror nacional surpreendente!

Não que seja o objetivo da obra e, logicamente, nem sempre a ficção tem que deixar uma mensagem de reflexão, mas vale mencionar que ao ler O Culto, paira a indagação: somos todos maus? A treva habita em nós?

Foto: Reprodução
Sobre o autor:

D.A. Potens é o pseudônimo de Danilo de Almeida, 23 anos, paulista. É escritor de terror, horror, suspense, drama e fantasia; sendo suas inspirações os filmes de terror japoneses, bem como os grandes clássicos como Sexta-feira 13, além de animes do gênero. Atualmente, possui contos publicados nas plataformas Amazon e Wattpad. Dentre eles A Dama de Branco, Sursum Corda, Soterrados e A Oração da Cabra Preta, seu texto mais contemplado. Ademais, é integrante da comunidade de escritores fantásticos e malditos, a MaldoHorror, da qual tem orgulho de fazer parte.

Ficha Técnica

Título: O Culto
Escritor: D. A. Potens
Editora: Publicação Independente
Edição: 1ª
Ano: 2017
Número de Páginas: 146
Assunto: Terror nacional