[Entrevista] Pedroom Lanne



O escritor Pedroom Lanne concedeu entrevista ao Tomo Literário. Fã de literatura fantástica e autores como Edgar Allan Poe, Clive Barker e George Orwell, e escritores nacionais como Érico Veríssimo e Ademir Pascale, ele falou sobre carreira, seus livros, literatura e alienígenas. Leia a entrevista na íntegra.

Tomo Literário: Para iniciar, como se deu o início de sua jornada no meio literário.

Pedroom Lanne: No dia 22 de dezembro de 2012 eu estava em São Thomé das Letras (MG) e me veio a ideia da trama central para escrever um livro de ficção-científica sobre alienígenas. A ideia ficou na minha cabeça até o início de 2013, até dado instante em que me lembrei que isso já tinha acontecido antes, de uma história ter passado pela minha cabeça e se perdido nela, mais de uma, na verdade, algumas, desde os tempos de escola, da 6ª série que me lembre, quando comecei a escrever um livro a mão e larguei, de alguma forma, minha jornada começou ali, mas só veio para o papel e se tornou um livro quando me dei conta que não podia mais deixar as ideias e o desejo de escrever fugirem, então sentei no computador e comecei a escrever aquele que veio a ser meu primeiro livro “Adução, o Dossiê Alienígena”.

Tomo Literário: Você é autor da trilogia Adução. Como surgiu a ideia dos livros?

Pedroom Lane: Na verdade, Adução é um livro só, o qual dividi em três partes e montei uma trilogia quando lancei primeiramente em ebook como forma de facilitar para o leitor, dividindo o preço e o peso do arquivo, já que o livro é um pouco extenso e contém ilustrações e gráficos que em único arquivo chegaria a quase 40 megabytes, isso também facilita para o leitor caso queira abandonar a leitura, aí não precisa comprar a sequência da trilogia, embora, claro, a gente sempre espere e torça para o leitor gostar da história que estamos contando e seguir até o final da leitura.

Mas, tem um detalhe, quando lancei o livro em ebook, sequer era trilogia, na época (2014), era um livro digital em três partes, três “tomos”. Os três tinham a mesma capa, o mesmo título e subtítulo: “Adução – Dossiê de um Transmutado Alienígena”, aí vinham partes 1, 2 e 3. No final de 2014 eu fechei com uma editora para lançar o livro impresso, e como já tinha o ebook, e o ebook estava razoavelmente bem posicionado nas vendas no site Kindle da Amazon, eu fiz um acordo com a editora para manter os ebooks a venda e, após a revisão textual que eles fizeram e algumas melhorias no texto, eu atualizei a versão dos ebooks, aí sim, os transformei em uma trilogia propriamente dita, criando uma capa específica para cada volume e acrescentando um subtítulo diferente para as partes 2 e 3, que então passaram a se subintitular “O Estranho Universo Quântico” e “A Guerra da Inteligência Artificial”, respectivamente. Trilogia foi lançada no começo de 2016, cerca de dois meses após o lançamento do livro impresso que contém a obra completa.

Tomo Literário: Quanto tempo durou o processo de escrita e publicação das obras? Qual foi o seu maior desafio?

Pedroom Lane: O processo de escrita durou um ano, de janeiro de 2013 a janeiro de 2014, depois foram mais cinco meses de revisão enquanto procurava uma editora. Já no segundo semestre de 2014, ainda sem editora, passei a estudar publicá-lo de forma independente valendo-se das plataformas digitais, contratei revisão e passei a trabalhar o lançamento em ebook, que se deu em outubro de 2014, portanto, cerca de nove meses após o término da escrita. Já com o ebook lançado, eu consegui fechar com uma editora em dezembro para lançarem 2015. Como meu livro é grande e cheio de peculiaridades que fogem um pouco do padrão, deu um baita trabalho para a editora diagramar e fechar o livro, aí ele só saiu em novembro de 2015, 22 meses após o término da escrita.

Quanto ao desafio, o maior foi ficar sentando escrevendo até o fim. Na escrita, foi desenvolver a fala prolixa dos alienígenas e a tentativa de traduzir em palavras algo que seria um pensamento mais evoluído, portanto mais complexo que o nosso.

Pra lançar foi fácil, pois sou formado em editoração e trabalho com Internet desde o século passado, então, foi apenas questão de tempo, dedicação e de seguir as dicas pelo caminho, o desafio aqui é só evitar as armadilhas – e têm muitas.

Tomo Literário: Os livros de Adução tocam em diversos assuntos relativos à ciência. Como foi o seu processo de pesquisa para os temas abordados?

Pedroom Lane: Eu fiz uma consulta com três “cientistas” que me ajudaram a abordar com mais precisão muitos dos termos que perpassam a obra em três áreas fundamentais para a história, a biologia, a psicologia e a astronomia. Esses três “cientistas” se consistem de dois parentes próximos e um ex-professor. Além disso, algumas informações eu pude checar com especialistas, como um piloto de avião que conversei etc, o restante pesquisei em livros e, muito, pela Internet.

Sem Internet eu jamais poderia ter escrito um livro de ficção-científica. Lembra daqueles livros que comentei que passaram pela minha cabeça desde a pré-adolescencia? Eram todos de terror e fantasia, pois como eu iria escrever sobre física quântica se sou da área da Comunicação? Nem me passava pela cabeça escrever sobre um assunto tão complexo, nesse sentido, a Internet foi fundamental para pesquisar sobre astrofísica. Se não existissem sites com convertworld ou mesmo o Wikipedia, seria impossível ter escrito este livro, isso sem falar no dicionário online. Apesar disso, algumas enciclopédias, atlas e referências impressas foram importantes fontes para consulta, as quais podem ser encontradas na bibliografia da obra no endereço http://www.pedroom.com.br/portal/weblog/subpages/aducao_biblio.htm. Sobre os assuntos abordados, sem dúvida, falar de física quântica foi o que mais demandou pesquisa ainda assim certamente há furos na que escrevi, dado que o livro nunca passou por uma leitura crítica ou revisão de um astrofísico, mas tudo foi prazeroso, pois são assuntos que sempre me interessei, e escrever sobre eles, sobre diferentes ciências foi um ótima oportunidade para aprender um pouco mais. Descontando o aspecto comunicativo do universo alienígena que desenvolvi, já que essa é minha área de formação, as demais ciências que abordo no livro sempre me cativaram e, nos poucos estudos que tive lá na época do então colegial ou do cursinho e tal, eu gostava e tinha facilidade, tais como a psicologia, a biologia e a astronomia. E temos, claro, a ufologia, que pra mim, como para muitos, vem do cinema e da TV a cabo, coisa que eu sempre me interessei desde a época dos gibis, especialmente os de super-heróis, aliás, desde criança, eu sempre acreditei na existência de alienígenas.

Tomo Literário: O gênero de ficção científica, escritos por autores nacionais, tem conquistado espaço junto aos leitores brasileiros?

Pedroom Lane: Eu não sei medir isso. Eu não sei se é possível atribuir um crescimento do gênero ficção-científica de forma isolada, acho sim que existe um crescimento, talvez, dentro de um contexto mais amplo em que certos gêneros têm se sobressaído no atual retrato da literatura. Conforme o raciocínio acima, se eu te disse que a Internet foi uma facilitadora pra a escrita da minha obra, num é só pra mim, não é? Então tem mais gente pesquisando e se aventurando nessa temática, faz sentido. O que temos, são algumas coisas que indicam isso, como a plataforma Wattpad, na qual temos bastantes textos e escritores brasileiros com milhões de leituras. Somando todos os textos/capítulos, eu tenho lá um “kazinho” de leituras.

Tomo Literário: Está trabalhando em algum novo projeto literário? Pode nos contar?

Pedroom Lanne: Tô escrevendo um novo livro, uma nova história dentro do mesmo universo do primeiro livro e alguns dos mesmos protagonistas, e se o primeiro se chamou ADUÇÃO, o dossiê, agora vem o relatório: ABDUÇÃO – RELATÓRIO DA TERCEIRA ÓRBITA. No mesmo esquema, lançamento em ebook, em tomos separados, formando uma trilogia. Aí depois vem o impresso. Além disso, eu tô tentando viabilizar uma 2ª edição do primeiro livro pra valer, com várias melhorias.

Tomo Literário: Que autores você recomenda ou quais autores influenciaram o seu trabalho como escritor?

Pedroom Lane: Voltando lá pros tempos de escola, a primeira grande influência foi Érico Veríssimo pela leitura do livro As Aventuras de Tibicuera, um índio que vive a história do Brasil, algo que ficou em meu subconsciente até que um dia eu escrevesse uma história do homo-sapiens vivendo a história da evolução pelo espaço. Outros escritores que me influenciaram, a maioria vêm dessa época, quando despertei para o prazer da leitura aos onze anos, Julio Verne, HG Wells, mas eu gostava mais de terror, tipo Stephen King e Poe ou Conan Doyle; a Metamorfose de Kafka é outro livro que li na juventude e em muito formatou meu subconsciente. Entre leituras mais próximas a escrita do livro, Eça de Queiroz me ajudou a inspirar os personagens do livro, mas, o que é preciso destacar, são os livros de não-ficção, de pensadores, especialmente da área da comunicação, da sociologia, da tecnologia ou do jornalismo, que certamente não só influenciaram, mas que tornaram possível eu articular os pensamentos para escrever a história que escrevi, alguns que posso citar são Pierre Levy, Castells, Habermas. Quanto ao jornalista, este é Charles Belitz, autor do livro O Triângulo das Bermudas, que tem um cunho ufológico,  que li pouco antes de ir para São Thomé das Letras. Em São Thomé, a cidade por si só te inspira para a temática alienígena, e a ideia que eu tive para a escrita de Adução, partiu da leitura desse livro. Esse foi o livro cuja leitura criou as ligações cerebrais que deram vida a ideia de Adução e sua respectiva trama central, que seria a conquista do espaço tendo como ponto inicial uma viagem no tempo, não à toa a história começa no Triângulo das Bermudas.

Mas se você me perguntasse por um único autor ao invés de autores, esqueça os nomes acima e: George Orwell.

Tomo Literário: Que livros, de quaisquer gêneros, você indicaria aos leitores e de que maneira esses livros te tocam?

Pedroom Lanne: Indicaria Clive Barker pra quem curte terror, que acho melhor que Stephen King. Acho que a dica que eu daria está fora da literatura, indicaria a leitura dos pensadores clássicos, Maquiavel, Descartes, até mesmo Platão e, idem, aos autores clássicos como Poe,Victor Hugo e os brasileiros, os textos originais, livros que são mais que inspiradores, te ajudam a desenvolver o pensamento e a expandir seus conhecimentos, bem como te inspiram a escrever e a ler mais, bom, pelo menos pra mim, mas creio que é e pode ser para muita gente.

Tomo Literário: Quer deixar algum comentário para os leitores?

Pedroom Lanne: Que leiam e busquem extrair conhecimento, a amadurecer seus pensamentos através do exercício da leitura. Há quem diga que você corresponde aos livros que você tem em sua estante, creio que há um pouco de verdade nessa afirmação.

Foto: Reprodução
Saiba mais sobre o autor

Paulistano, nascido em 1971, mestre em Comunicação Social, webdesigner e jornalista, fã de literatura fantástica e autores como Edgar Allan Poe, Clive Barker e George Orwell, e escritores nacionais como Érico Veríssimo e Ademir Pascale. Fã de jogos de RPG, cards e videogames, além de goleiro e botonista, Pedroom despertou para o mundo da escrita após seu curso de mestrado, quando a obrigação lhe fez perder o medo de escrever, assim, em 2013 passou a se dedicar a literatura de fantasia até que, em 2015, lançou seu primeiro livro Adução, o Dossiê Alienígena, uma obra de ficção-científica que bem expressa sua visão e seus pensamentos sobre a contemporaneidade da sociedade humana e os conflitos que ainda fazem do homem uma criatura longe da perfeição utópica que idealiza nesse primeiro título literário.

Além do livro Adução, o Dossiê Alienigena, Pedroom Lanne possui alguns contos, crônicas e artigos científicos que podem ser acessados a partir de seu site pessoal no endereço:

O site pessoal também possui links para diversas plataformas de publicação do autor, tais como o Wattpad, ISSUU e as mídias sociais que participa, além de matérias que escreve sobre temas diversos em seus blogs e sua produção acadêmica.

Conheça os livros de Pedroom Lane

Adução – O Dossiê Alienígena

Uma família está voltando de férias das Bermudas rumo a Miami quando, durante o voo, algo misterioso ocorre e eles acabam em outra dimensão, em uma Terra paralela habitada por seres que, ao nosso entender, são extraterrestres, mas, no decorrer da narrativa, percebemos que não são tão diferentes de nós mesmos.

Socorridos por tais criaturas, a família inicia um duro aprendizado sobre a nova realidade em um mundo descrito por forças quânticas, para nós, ainda incompreensíveis. Nesse contexto, a obra narra a odisseia evolucionária de um mundo futurista altamente tecnológico, e se foca na adaptação de uma inteligência inferior a um patamar tão mais elevado, que só pode ser descrito como divino ou alienígena, enquanto revela o quanto nós, humanos do século XXI, ainda temos de evoluir.

Disponível na Amazon.

Adução

E-books.

Disponível na Amazon.







Uma Segunda Guerra

Indetectáveis a mero mortais, dois alienígenas provenientes de um futuro muito distante se materializam na calada da noite em meio a um quartel general no deserto do Novo México. O que descobrem sorrateiramente lendo mentes de soldados adormecidos, revela um surpreendente bastidor da Segunda Guerra Mundial que nem uma sumo inteligência superior poderia predizer, revela uma segunda guerra que nunca antes se coube imaginar.

Disponível na Amazon.






A Longa Jornada de Uma Noite Sem Fim

Uma crônica sobre o sono. Ou a falta dele...

Disponível na Amazon.

Conheça A.C. Meyer, a nova sensação da literatura feminina



A escritora carioca já tem 6 livros publicados e é especialista 
em romances contemporâneos, com milhares de leitores pelo Brasil inteiro

Autora revelação pela Universo dos Livros e pelo Grupo Record, do selo Galera, A. C. Meyer estará presente nos dois finais de semana da 18ª Bienal do livro do Rio de Janeiro. A carioca já tem seis obras publicadas, quatro pela Universo e duas pela Record, e espera os fãs nos em dois momentos distintos, nos estandes das editoras. Ela estará dia 03/09 (domingo) no estande do Grupo Editorial Record às 17 horas para se encontrar com os fãs e autografar Cadu e Mari. Depois, estará dia 07/09 (quinta-feira) às 12 horas no mesmo estande para assinar o seu segundo livro pela editora, o ABC do Amor. Por último, estará no dia 09/09 (sábado) no estande da Universo dos Livros às 16 horas, para autografar a série best-seller After Dark.

Viciada em livros desde a infância, A. C. Meyer viu as histórias que criou alcançarem sucesso. As comédias românticas que escreveu conquistaram o público e a premiaram com o melhor romance de 2016, segundo o iBooks. A obra premiada, Encantada por você, é o quarto volume da série After Dark publicada pelo Universo dos Livros, e que é recheada de amor, surpresas e muitas borboletas na barriga. Entretanto, o reconhecimento no mercado chegou quando em 2017 foi chamada para integrar o time de autores nacionais do Grupo Record, com o livro Cadu e Mari, uma história romântica embalada por muitas referências musicais e pelas paisagens arrebatadoras da cidade que nasceu, a maravilhosa Rio de Janeiro.

Confira abaixo a agenda de eventos da autora na Bienal do livro do Rio de Janeiro:

Sessão de autógrafos do livro Cadu e Mari com a autora A. C. Meyer
Data: 03/09
Horário: 17 horas
Local: Estande da Editora Record - PAVILHÃO 3 – AZUL - E09/F10
A sessão de autógrafos se limita a 3 (três) livros por pessoa, sendo um deles o título Cadu e Mari 

Sessão de autógrafos do livro ABC do Amor com a autora A. C. Meyer
Data: 07/09
Horário: 12 horas
Local: Estande da Editora Record - PAVILHÃO 3 – AZUL – E09/F10
A sessão de autógrafos se limita a 3 (três) livros por pessoa, sendo um deles o título ABC do Amor 

Sessão de autógrafos da Série After Dark com a autora A. C. Meyer
Data: 09/09
Horário: 16 horas
Local: Estande da Universo dos Livros - PAVILHÃO 3 – AZUL – J13/K14
A sessão de autógrafos se limita a 4 (quatro) livros por pessoa, sendo um deles da série After Dark

[Entrevista] Wallery Giscar



Wallery Giscar concedeu entrevista ao Tomo Literário. O escritor falou sobre suas incursões na literatura, seu livro Ajuste de Contas e muito mais.

Tomo Literário: Como foi o início de sua jornada pela literatura?

Wallery Giscar: Tudo começou com um trabalho solicitado em sala de aula sobre o livro Senhora. A professora elogiou o trabalho e eu fiquei com a sensação de que podia ser escritor. Até que me empolguei na época, mas após a empolgação, esqueci. De tempos em tempos me vinha a ideia de escrever um livro só que outros objetivos surgiram e fui colocando a literatura de lado. Foi quando vieram as participações em concursos literários lá pelos idos de 1998 época em que iniciava o curso de Letras/Português.  Vi nos concursos a chance de mostrar o meu trabalho e comecei a participar. Ganhei alguns, perdi outros tantos, mas a experiência foi muito boa, pois serviu para me despertar para a literatura. No entanto, passei um longo período afastado da literatura, pois estava com outros projetos em mente. Somente quando lancei meu livro Ajuste de Contas no formato ebook, pela amazon, que decidi mergulhar na literatura e assumir o lado escritor, pois até então, apesar de escrever poesia e alguns contos e ter participado e ganhado alguns concursos, não havia resolvido apostar na literatura.

Tomo Literário: Como surgiu a ideia do livro “Ajuste de Contas”?

Wallery Giscar: Ajuste de Contas surgiu para participar de um concurso literário que teve na minha cidade, Teresina. Na infância e adolescência fui muito influenciado por histórias de violeiros que cantavam as peripécias de pistoleiros e isso gerou em mim a necessidade de também contar uma narrativa que envolvesse o mundo da pistolagem. Quando apareceu o concurso, já estava na minha cabeça a história de Ajuste de Contas e foi só sentar e começar a escrever.

Tomo Literário: O livro tem a abordagem sobre uma figura que paira no imaginário: o pistoleiro. A composição do personagem foi baseada em alguma história real?

Wallery Giscar: Não. Ajuste de Contas e o drama de Justino são frutos da imaginação. Embora tenha como pano de fundo a pistolagem, aborda questões como conflito de terras, prostituição, ganância, vingança, amor e perdas.

Tomo Literário: Quanto tempo levou todo o processo da escrita até a publicação e qual foi o maior desafio?

Wallery Giscar: Eu como escritor tenho três momentos na escrita: o período de germinação, em que surge a ideia e começo a pensar no personagem e no desenrolar da história; o segundo momento é o da escrita do primeiro rascunho, é um esqueleto da história; e finalmente o terceiro momento é o mais desafiador, cansativo e trabalhoso, o trabalho de revisão. Essa revisão não é a revisão gramatical a que submetemos nosso livro, mas é a revisão em que aprimoramos os diálogos, as cenas, os personagens e tudo o que envolve a narrativa. Como o livro surgiu para participar de um concurso literário, a escrita demorou pouco tempo, talvez um mês. Após ganhar o concurso literário, o livro foi publicado em 2005 numa antologia, juntamente com outros vencedores do concurso em 2001. Em 2015, fiz algumas alterações na história e em junho, publiquei-o como ebook na amazon. E no início de 2016, comecei a procurar por uma editora. Foi então que encontrei a Giostri Editora e publiquei o livro em  março de 2017.

Escrever uma boa história é difícil. É preciso se ater a uma infinidade de técnicas e ainda ter o cuidado de criar algo que venha a atrair o leitor. E mesmo fazendo isso, não é garantia de sucesso. Depois vem outra fase que é uma verdadeira batalha: conseguir uma editora. E feito isso, não acaba; na verdade começa, pois surge o desafio de angariar leitores. Creio que, analisando todas as fases, a mais desafiadora é se sobressair num oceano de outras tantas obras e conseguir a atenção do leitor. É um trabalho de paciência e muito esforço, mas que tem sua recompensa.

Tomo Literário: O que te inspira a escrever?

Wallery Giscar: Para responder preciso contar um pouco sobre meu passado. Sempre gostei de histórias desde pequeno. Acho que essa parte da minha vida é a primeira vez que conto numa entrevista, mas vamos lá. Nasci numa cidade pequena do Maranhão e acho que até os dez anos não tínhamos TV. Isso mesmo, nada de televisão. Hoje as crianças passam o dia grudadas na tela da TV, celulares e tablets. E eu não tinha isso. Então como fui gostar de histórias? Bom, para começar só dormia depois que me contavam uma boa história. Como surgiu essa paixão, não sei. Mas guardo na lembrança a imagem de um garotinho com os olhos esbugalhados ouvindo histórias antes de dormir. Antes de saber ler, já pedia minha irmã mais velha para ler para mim. Livros? Não, revistinhas em quadrinhos. Coisa que não era recomendada para crianças, pois se dizia que iria lhes tirar o prazer da leitura dos livros. O que, felizmente, só me ajudou na minha paixão pela leitura. E tinha outra coisa na minha infância sem televisão: havia um programa no rádio, acho que era o programa da Tia Leninha, creio que era esse o nome. Todos os dias havia uma história contada por ela e eu estava lá com o ouvido grudado no rádio, ouvindo a história. Por que toda essa fixação em histórias não sei responder. Só sei que essa paixão fez nascer o desejo de também encantar outras pessoas assim como um dia eu me encantei e ainda me encanto ao ler um bom livro. Hoje quero ser lido e poder colocar meus livros nas grandes livrarias. O que me inspira a escrever é o amor pela arte de contar histórias, o prazer de encantar os leitores e poder trazer um pouco de alegria, diversão e prazer com a leitura de minhas histórias.

Tomo Literário: Está trabalhando em algum novo projeto literário? Pode nos contar?

Wallery Giscar: Estou trabalhando em uma ficção científica e em um romance romântico e creio que logo mais terei novidades.

Tomo Literário: Que autores você recomenda ou que influenciaram o seu trabalho como escritor?

Wallery Giscar: Quem deseja ser escritor deve acima de tudo gostar de ler. Não dá para imaginar alguém que almeja ser escritor e diga não gostar de ler. Deve-se ler de tudo, dos clássicos aos contemporâneos. E quanto mais cedo o autor se convence disso, mais rápido ele começa a crescer na sua profissão. Há autores fantásticos como Machado, José Lins do Rego, O. G. Rego de Carvalho, Graciliano, Raduan, Gustave Flaubert, Tchekov, Saramago dentre tantos outros e que merecem ser lidos. É somente na leitura diária que descobrimos aquilo de que gostamos. Cabe ao iniciante se aventurar por essas maravilhas literárias e procurar tirar o máximo proveito.

Tomo Literário: Que livros, de quaisquer gêneros, você indicaria aos leitores e de que maneira esses livros te tocam?

Wallery Giscar: Estabelecer uma lista de livros a serem lidos é um pouco complicado, pois vai do gosto de cada uma, mas indicaria O nome da Rosa, de Umberto Eco, é um livro bem escrito com uma história muito interessante, esse é um dos melhores livros que li; outro que recomendaria sem pestanejar é O Amante, de Marguerite Duras, é daqueles livros que você não esquece; O Morro dos Ventos Uivantes foi um dos que ficaram no rol dos melhores que li; Madame Bovary é uma pérola da literatura; e uma leitura de algo mais recente poderia ser o famoso A culpa é das estrelas; Um amor para recordar, de Nicholas Sparks, para aqueles que gostam de uma ótima história de amor;  um livro com uma escrita ímpar, Lavoura Arcaida, do nosso Raduan,  só para citar alguns. São livros com histórias cativantes, bem escritos e com uma técnica apurada, são daqueles livros que você termina satisfeito com a leitura e as lições aprendidas.

Com certeza o blog tem muitos aspirantes a escritore(a)s e indicaria que lessem O escritor de fim de semana, de Robert J. Ray, é um livro que dá muitas dicas de como escrever um livro em 52 fins de semanas, trabalhando muito bem a questão das cenas, diálogos, personagens. Oficina de Escritores, do Stephen Koch, é uma boa pedida, pois mostra como o autor deve proceder na escrita. Como escrever um romance de sucesso, de Albert Zuckerman, vai mostrar dicas preciosas para que você transforme seu romance num sucesso. E por último, vá de Manual do roteiro, de Syd Field, embora fale de roteiro ele traz dicas úteis para a escrita. Acabou? Não, esses são apenas o começo, mas são livros que vão ajudar muito.

Tomo Literário: Quer deixar algum comentário para os leitores?

Wallery Giscar: Quero agradecer o espaço no blog e dizer que foi um grande prazer poder falar um pouco de mim e do meu trabalho como escritor. Desejo sucesso e que continue apoiando a literatura.
 
Foto: Reprodução
Conheça um pouco mais sobre o escritor

Wallery Giscar Desten nasceu em 1973 na cidade de São Domingos do Azeitão – MA. Formou-se, inicialmente, em Letras/Português, por sonhar um dia ser escritor, e, posteriormente, veio a se formar no curso de Bacharel em Direito. Mora desde 1989 em Teresina-PI, trabalhando como servidor público. O interesse pela literatura se deu, por acaso, quando tinha 15 anos. Alguns anos depois, surgiu a curiosidade pelos concursos literários e começou a escrever para participar e ter alguma experiência. Dessas aventuras alcançou alguns bons resultados, conquistando o 3º lugar no concurso de poesia da VII semana de Letras da UESPI – 1998; 2º lugar no concurso de crônica da FUNDAC – 1998; participação na antologia poética “As trinta melhores poesias” do I Concurso UESPI de literatura – 1999; menção honrosa com o romance O jardim dos amores – FUNDAC – 2003 e com Ajuste de Contas conseguiu o 1º lugar no concurso “Prêmio O.G. Rego de Carvalho – Categoria Novela – FUNDAC – 2001.

Conheça os livros de Wallery Giscar

Ajuste de Contas

Justino é um experiente pistoleiro contratado para um serviço em Parnaíba – PI. Já nos preparativos para a execução do contrato de morte, o matador desconfia de que é vítima de uma suposta emboscada que se reverte na elucidação de uma injustiça do passado e no feliz acaso da descoberta da filha, de existência jamais imaginada. Descobrindo-a, vai ao encontro da grande paixão de sua vida, Lindalva, a quem no passado abandonara para seguir a vida da pistolagem . Uma história de vingança, amor, surpresas e traições, penetrando nos meandros da vida dessa figura tão sombria e emblemática do nosso imaginário e que desperta ao mesmo tempo curiosidade e mistério- o pistoleiro.

Disponível na Saraiva | Cultura | Editora Giostri


Um pouco de poesia faz bem

Um pouco de poesia faz bem para o coração, a alma e os sentidos. Apesar de não se dar destaque à poesia como outrora ela continua latente e bem presente. Num conjunto de textos que falam sobre amor, solidão, tristeza, dissabores e fatos cotidianos "Um pouco de poesia faz bem" traz à tona textos que foram escritos em diferentes épocas e motivados pelos mais diversos motivos e constatações, provando que o poeta é um observador da vida cotidiana e catalisador de sentimentos e impressões que vai colhendo através de seu olhar atento e pondo-os no papel. Recheado de textos leves que vão levá-lo a refletir sobre os mais diversos temas o autor nos convida a sentar e tranquilamente deliciar-se lendo uma boa poesia.

Disponível na Amazon.


O lobisomem e outros contos

Todo lobisomem mete medo, mas o dessa história tem algo de muito interessante e serve para mostrar como nossa imaginação é fértil. Este "O Lobisomem e outros contos" vai diverti-lo com muitos contos pra lá de engraçadas. Muitos deles originados de situações banais, hilárias, cotidianas que acontecem em todas as famílias, coisas que um pai ou mãe veem acontecer na vida dos seus filhos e guardam com carinho na memória e agora eternizados estão nas páginas deste livro de contos.

Disponível na Amazon.






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