Escritor cria obra de viagem no tempo e nostalgia, ambientada em Minas Gerais



Ferramentas como GoogleMaps, Spotify, YouTube e QR Code, dão vida à narrativa sobre um jornalista capaz de interagir com o passado

A viagem no tempo não é um tema inédito. Várias obras, na literatura e no cinema, exploraram o assunto como artifício para acessar outras épocas e desenvolver tramas envolvendo datas relevantes na Histórica ou encontros com grandes figuras históricas. No entanto, em “Conexão Hirsch – Nostalgia, obsessões e viagens no tempo”, romance recém-lançado pela editora Penalux, o que chama a atenção é a ambientação criada pelo autor Carlos Romero Carneiro, que adotou como enredo a história de um jornalista que tem acesso ao passado para produzir reportagens e desvendar segredos de família, como a morte do próprio pai.

A narrativa acontece nos meados dos anos 70. E não por acaso: “Eu tinha a intenção de fazer com que os personagens transitassem pela cidade e percebessem as mudanças, físicas e comportamentais, no decorrer das décadas” – explica o autor da história, que tem por cenário uma pequena cidade no sul de Minas.

“As ruas e construções são reais” – conta Romero. – “Em contrapartida, os personagens são todos fictícios.”

O enredo

Através de uma narrativa rápida e densa, o autor explora a nostalgia como pano de fundo para um cenário de ressentimento e dor, entrelaçando a narrativa com histórias fantásticas e elementos arquetípicos. Tudo permeado pela dificuldade do protagonista – o jornalista Gabriel – em se relacionar com as pessoas à sua volta.

Para dar vida à trama, o livro é ilustrado com imagens obscuras, o que torna a experiência ainda mais fascinante. Além dos recursos gráficos, o leitor tem a possibilidade de assistir vídeos com trechos da obra, por meio de QrCode. Para isso, é só acessar os códigos afixados nas locações que serviram de inspiração ao autor e seguir os passos de Gabriel e Amarante. Tampouco precisa visitar a cidade que ambienta o romance para ter um melhor conhecimento do cenário do enredo. Basta que o leitor acesse os ambientes listados no Google Maps, cujos links estão no site criado exclusivamente para o livro: <www.conexaoh.com>.

Outro recurso disponível no site é a seleção de uma trilha sonora alternativa (via Spotify). Segundo o autor, que costuma ouvir as mesmas músicas enquanto escreve, essa possibilidade serve para o leitor imergir ainda mais na história.

Carlos Romero Carneiro - Foto: Reprodução
Sinopse

Você já teve uma sensação estranha ao caminhar por uma antiga rua ou visitar um casarão em ruínas? Foi acometido pelo mal-estar ao tocar uma fotografia velha ou ter um objeto nas mãos? Gabriel experimentava as mesmas sensações e tornou-se obcecado em absorver os fluidos confinados em Capituva. Tudo não passava de intuição, até conhecer um homem que mudaria para sempre a sua vida. Através de seus ensinamentos, Gabriel aprenderá a desvendar técnicas de absorção do passado e a ter acesso a centenas de histórias escondidas ao seu redor. O encontro improvável com um judeu russo, entretanto, colocaria a sua vida em risco. Que relação haveria entre o protagonista e uma criança morta há mais de meio século? Essas e outras perguntas guardam suas respostas neste romance que promete ao leitor uma leitura recheada de mistérios e conexões.

Ficha Técnica

Título: “Conexão Hirsch - Nostalgia, obsessões e viagens no tempo”, romance.
Editora: Penalux,
Autor: Carlos Romero Carneiro
Páginas: 152 páginas
Disponível em:

[Wattpad] A Mão do Diabo, de Walter Cavalcanti



Para ler no Wattpad, trago a indicação do conto A Mão do Diabo, de Walter Cavalcanti.

Celina é uma mulher durona e resolve fazer mais uma tatuagem em seu corpo: um lobo de olhos vermelhos.

Surpreende-se ela com o que leu na caixa do tatuador. Sua tatuagem não é tão simples ou tão normal quanto parecia que seria. Horripilante, o lobo de seu braço esquerdo tem algo de sobrenatural.

Aventure-se no conto de terror que está disponível em:

[Wattpad] Lágrimas de Sangue, de Crys Covalsky



O conto é narrado em primeira pessoa por Diana, que está sob poder de um homem, seu ex-namorado, que num instinto possessivo a submete cruelmente a seus caprichos.

Diana quer se vingar e os dois tem um embate violento. O destino dos dois são as lágrimas de sangue, que dá nome ao conto de Crys Covalsky.

Um história de terror e violência.

O conto está disponível em:

Bom dia, Verônica - Andrea Kilmore



“Impressionante como a gente é o que o passado faz da gente.”

Verônica é secretária no Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) em São Paulo. Certo dia ela presencia o suicídio de Marta Campos, que até então ela sequer sabia quem era. Verônica decide saber mais sobre aquela mulher e qual o motivo a teria levado a se matar, sobretudo porque a mulher soltara uma enigmática frase enquanto se lançava à morte: “Agora ele vai ser capaz de me amar”.

Em paralelo vamos adentrar também a história de Janete, uma mulher que reside na zona leste de São Paulo e que liga para Verônica revelando que pode ser assassinada por seu marido. Verônica também vai querer desvendar o que acontece com Janete. Brandão, o marido, trata as mulheres que pega na rodoviária de São Paulo de maneira torturante, enquanto sua esposa Janete, com a cabeça numa caixa, ouve a crueldade com que ele as trata.

“Dentro da caixa, vai ficando mais e mais quente, ela transpira por todos os poros e perde a noção do tempo. A simples tarefa de respirar se dificulta a cada minuto e a gola da blusa começa a encharcar...”

Durante a trajetória percorrida por Verônica, em busca de pistas sobre o homem que teria se relacionado com Marta e para incriminar o marido de Janete, ela vai passar por momentos de tensão e descobertas no melhor estilo dos livros de suspense. É eletrizante a narrativa empregada por Andrea Kilmore ao longo de toda a obra.

Verônica tem diante de si dois casos para descortinar e chegar efetivamente aos culpados. É importante mencionar que ela faz essas investigações de maneira particular, embora trabalhe no DHPP. Ela se utiliza de suas artimanhas para conseguir acesso a várias informações. Ainda que ela trabalhe num departamento policial é mister dizer que sua atuação é como secretária. Daí decorre o seu jeito próprio de investigar os casos, baseado em seu instinto e pelo que absorve em seu trabalho, mais do que pela técnica utilizada por investigadores profissionais.

Num dos casos ela terá ajuda da esposa do algoz e no outro ela conta apenas com sua veia investigativa.

“Existem coisas na vida que transformam a gente. Naquela madrugada, dentro do carro, fumando um maço inteiro de cigarros já velhos que encontrei esquecido no porta-luvas, enquanto escutava tortura, gritos, tiros e perseguição pelas caixas de som do meu rádio, me transformei em uma nova mulher” – revela Verônica num dos capítulos do livro.

A protagonista não é uma heroína ou mocinha típica. Ela tem atitudes que podem ser contestadas, o que a torna mais humana, mais real e a aproxima do leitor. É, em suma, uma personagem crível. Essa forma de construção dos personagens se revela em outras figuras do livro, como é o caso de Janete, que em dados momentos parece determinada a denunciar o marido, mas que também revela temor com o que pode acontecer e tem sentimentos controversos, posto que ama aquele homem. Carvana, o chefe do departamento em que Verônica trabalha, também tem um viés dúbio. É um homem que tem um trabalho de responsabilidade, mas que parece dar de ombros, como quem deixa claro para os funcionários: “Não me encham”.

 
A violência empregada no livro pelos personagens não é utilizada de maneira gratuita, pelo contrário, faz parte de todo o contexto e é empregada dando suporte à história. Não dá para dizer que há beleza num ato de crueldade, e isso é outro ponto positivo da obra, pois escancara os atos do criminoso, não minimiza, revela ao leitor sem ficar versando sobre a criminalidade só para encher páginas.

O livro é arrasador. A narrativa é fluída, em primeira pessoa pela visão de Verônica, e cheia de reviravoltas que prendem a atenção.

Andrea Kilmore consegue imprimir ritmo, nuances psicológicas que expressam muito bem a mente de um criminoso, carrega tensão, suspense, violência e dissimulações. A própria Verônica é uma personagem muito bem construída e a história é cruelmente perturbadora. Trata-se de um livro admirável de suspense policial e assassinos cruéis.

Um livro da literatura nacional contemporânea que, espero, conquiste cada vez mais leitores do gênero policial. O mistério não fica apenas no livro. Após concluir a leitura desse excelente thriller, fica a pergunta: quem é Andrea Kilmore?

Sobre a autora

Andrea Kilmore é uma revelação que não pode se revelar, e seu verdadeiro nome continua um mistério até para a editora. Após trabalhar infiltrada em um caso e sofrer uma grande perda pessoal, a autora se viu obrigada a assumir uma nova identidade. E com ela, uma nova vocação. Escondida n as sombras, buscou na literatura a saída para vencer a depressão e não calar sua voz. Assim nasceu Andrea Kilmore, pseudônimo batizado com sangue. Todo o contato com os editores da DarkSide Books foram feitos por intermédio de um advogado. Por questões de segurança, seu estilo de vida é extremamente reservado e não lhe permite conceder entrevistas ou participar de eventos públicos. Ela escreve thrillers como os grandes mestres, e sua experiência de vida confere uma autenticidade que poucas vezes encontramos em suspenses policiais. A escritora conheceu de perto a verdadeira face do mal. Mesmo com tantos mistérios, sua literatura é vibrante e cruel – como a realidade.

Ficha Técnica

Título: Bom Dia, Verônica
Escritor: Andrea Kilmore
Editora: DarkSide Books
Edição: 1ª
ISBN: 978-85-9454-017-1
Número de Páginas: 256
Ano: 2016
Assunto: Literatura brasileira