Balzac – Johannes Willms

Adquiri o livro na Bienal de São Paulo. Fui ávido por uma biografia. Não uma em específico, mas com outros títulos de ficção, queria sair de lá com um livro biográfico. E foi num estande logo na entrada, em meio à promoções, que de longe vi o livro. Foi assim que ele veio parar na minha estante.

Honoré de Balzac, escritor francês, nasceu no século XVIII, em 20 de Maio de 1799. O livro conta a história da vida de Balzac, passada no século XIX. Estão presentes os relatos sobre a conturbada relação com a mãe desde a infância, o que culminou em seu encaminhamento a um internato, local em que substituía sua necessidade de aconchego pela leitura. Foi essa paixão que despertou nele a vontade de tornar-se um escritor.
“Graças a suas leituras excessivas, ele amealhou durante seu tempo no internato uma bagagem multicolorida de conhecimento e de opiniões precoces, que seu jovem cérebro assimilou sem dificuldade. Mais tarde, obteve algum lucro desse tesouro conquistado na época de extrema carência emocional com inúmeros trabalhos paralelos jornalísticos e ensaísticos.”
Mais do que ser um escritor, Balzac pretendia ser um escritor conhecido. Sua irmã contava quando voltaram para Paris, que “ele começou a dizer que algum dia as pessoas ainda falariam dele”.

O francês teve vários relacionamentos amorosos, sendo inclusive sustentado por uma dessas mulheres, que lhe deu incentivos durante o tempo, em que ele sem dinheiro, se empenhava em consolidar sua carreira de escritor. Pelas palavras menos que pela aparência, Balzac seduzia as mulheres com seu entendimento sobre a alma feminina.

O escritor era louvável com seu árduo trabalho e incessante busca em publicar seus textos, construiu amizades e inimizades ao longo da jornada e, viveu altos e baixos com sua trágica maneira de lidar com finanças. Apesar das dívidas, Balzac não era pobre, embora tenha pairado em certos momentos uma lenda construída por seus contemporâneos que o definiam como um pobre poeta. 

O autor da biografia descreve em certas situações a relação da vida de Balzac fundindo-se com a vida de seus personagens. Exemplos são dados ao fatos vividos por ele, com a transcrição de textos de cartas e/ou outros registros do escritor. Em uma das obras, exemplificativamente, Balzac acrescentou a máxima “os infelizes não tem credores; para tê-los é preciso certo esplendor exterior”. Falava ele de experiência própria em relação a sua ilusão pela riqueza.

Balzac não contentava-se apenas em ser escritor e buscar seu sucesso em reconhecimento e dinheiro. Fez incursões na política francesa, embora não tenha obtido êxito. Estava sempre aproximando-se das altas rodas da sociedade francesa, ostentando suas aquisições em vestimentas, objetos de decoração, esbanjamento em restaurantes e outros consumos. Com isso, acumulava dívidas. Um dos episódios que comprovam a falta de traquejo de Balzac em lidar com as questões financeiras se deu durante o período em que trabalhou num jornal parisiense. Os relatos jornalísticos rendiam-lhe mais que o papel de escritor. Sua megalomania e seu desejo de ter poder, despertou nele a vontade de não somente escrever uma coluna para o jornal, mas de adquiri-lo. Assim o fez. No entanto, o jornal estava fadado ao fracasso, chegando a falência. Nessa época, o escritor sentiu que seu talento foi questionado, sobretudo em função da malograda atuação como editor.

O livro “A Comédia Humana” foi a maior e a mais conhecida das obras de Honoré de Balzac. Conta as histórias de mais de mil e trezentos personagens. Ao longo da vida, o escritor, criou cerca de dois mil em suas mais de cinqüenta obras. Alguns personagens, como citado anteriormente, carregam traços autobiográficos revelados em suas narrativas ou por meio de diálogos e confissões.
Balzac em 1842. Pintura realizada por Louis-Auguste Bisson.
A imagem não é parte integrante do livro.
(Foto meramente ilustrativa)
Durante certo tempo, Balzac chegou a se manter recluso numa casa de campo, com o intuito de escrever, apenas escrever. A casa fora decorada com móveis caros e extravagantes, o que era típico de sua característica. Escrevia, nos tempos de maior intensidade de trabalho, abastecido por café. Tomava-o como água. Johannes cita  que “a obra gigantesca de Balzac não surgiu apenas de rios de tinta, mas também de verdadeiros rios de café...” Era assim que ele passava oitos horas noturnas escrevendo.

Muito tempo de sua vida Balzac se correspondeu com sua amiga, fã e amada. Nas cartas falava sobre sua vida, sobre os fatos que vivenciava, exagerava em algumas circunstâncias, revelava segredos familiares e seus sentimentos, além, obviamente, de seduzi-la. No fim de sua vida, depois de frustradas tentativas e ter passado por outros relacionamentos, ela se casou com o escritor. Pouco tempo depois do casamento, Balzac veio a falecer, mais precisamente em 18 de agosto de 1850, aos 51 anos. Ao seu lado, no leito de morte, estava sua mãe, com quem tivera uma relação conturbada e odiosa a vida toda.

Foi Victor Hugo quem fez o discurso fúnebre de Honoré, no qual citou uma frase que bem pode definir a trajetória e a obra de Balzac: “o autor dessa obra incomensurável e rara faz parte, à revelia do seu saber ou querer, e talvez à revelia de sua percepção, da vigorosa raça dos escritores revolucionários".

O livro Balzac, escrito por Johannes Willms e publicado pela Editora Planeta em 2009 é recomendado para quem quer conhecer as circunstâncias da vida do célebre escritor e seu caminho para a construção de sua carreira. Nas 290 páginas do livro, Balzac ganha a simpatia por ser um ser excêntrico, otimista, trabalhador e amante de sua profissão, sonhador, que não sabia lidar com o dinheiro, embora achasse o contrário. Um homem apaixonado, sedutor, com características físicas que não lhe dariam o título de príncipe, extravagante, ostentador, ávido pelo poder e pela riqueza, profundo conhecedor da psicologia feminina e observador da burguesia francesa. Era ainda um ser humano de relações familiares desequilibradas, megalomaníaco, ousado, revolucionário e genial em sua vasta e ampla produção. Vale a pena conhecer Balzac. Encarei o livro com um convite a ler a obra do escritor.


Ficha Técnica
Título: Balzac
Escritor: Johannes Willms
Editora: Planeta
ISBN: 978-85-7665-434-6
Edição:
Número de Páginas: 290
Ano: 2009
Assunto: Biografia / Escritores franceses

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